Aê, todo mundo

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quinta-feira, junho 05, 2008

uma nota deste mundo

No exato momento em que meus dedos débeis espancam o teclado frio, morre um velho em Cabul. Não, ele não foi vítima de nenhum morteiro, bomba, explosão. Mohamed morre de velho em seu leito, em sua casa humilde de periferia. Ao seu redor, filhos e netos.
Mohamed chama a todos nesse momento. Ao longe, o barulho de uma explosão. Mohamed já não sabe mais quantas guerras presenciou. Conta todos os fios brancos de sua barba e perde-se na conta de quantos conflitos, quantas mortes... Mohamed enfim chega a conclusão de que não foram várias guerras, e sim uma única e imemorial guerra, a mesma guerra, o mesmo negócio sujo. Os filhos acodem ao chamado do velho pai. Sua neta mais nova, ainda inocente das coisas deste mundo olha a tudo sem entender. Com sau voz fraca, Mohamed diz aos seus filhos:
Eu lhes chamei aqui pra fazer meu último pedido, e espero ser atendido.
- Sim pai
- Filhos, não morram antes de ficarem velhos.

6 comentários:

Engraçadinha disse...

Hummmmmmm... esse mundo tá perdido!
Nem um palavrãosinho??
Fala sério!

Fábio Vanzo disse...

Hmmm depende envelhecer como, né, em que condições. "Viver pouco como um rei ou muito como um zé?" Aui é que está. Sem falar na velhice citada... é física ou "espiritual". Estou complicando, né. Vai se acostumando Beijinhos satano-comunistas.

Bill Falcão disse...

No meio daquela confusão, o velho até que deu sorte de ter ficado velho. Ou não?
Bjoooooooossssssss!!!!!!!

Jens disse...

Hummm... estás ficando filosófica, Princesa Ane?
De minha parte, quero morrer bem velho. E safado, hehehe...
***
Beijo. Abraço para o Principe Consorte.

Just a Boy disse...

não morram mesmo...

lindo texto, lindíssimo!
:)

Marcelo Mendonça disse...

vc faz falta por aqui, bjo e saudades